A centralidade humana no processo de inovação

Intuição, liberdade, curiosidade e capacidade de fazer novas associações são premissas nesse trajeto

A segunda edição consecutiva do Junho da Inovação, uma realização do ISITEC (Instituto Superior de Inovação e Tecnologia), iniciada no dia 20 último, traz como tema a “Sustentabilidade e Inovação”. O diretor geral e o diretor acadêmico do instituto, respectivamente, Antônio Octaviano e José Marques Póvoa, agradeceram a presença dos profissionais e estudantes de engenharia presentes e destacaram a centralidade do homem na questão da inovação.

Na abertura da atividade, o professor Francisco Borba, da PUC-SP (Pontifícia Universidade de São Paulo), abordou a questão “Pensar inovação. E o homem?”, apresentando as várias vertentes do processo educativo para a inovação, cujas premissas envolvem a intuição, a curiosidade, a liberdade em relação a esquemas pré-concebidos, a capacidade de fazer novas associações de ideias para solucionar os problemas dados. A partir daí, deve-se ter o desenvolvimento, testes e a necessidade de inovações, a capacidade executora, os recursos materiais mínimos, a disponibilidade de correr riscos e a perseverança nos projetos. “Sem necessidade de inovação, você não inova”, atesta, acrescentando que o ser humano é, na sua essência, tradicionalista e que o homem é que criou a tradição da novidade.

A inovação, observa, implica em dedicação que não pode ser confundida com a “dedicação burocrática” – usada como fuga para não se perceber os limites da realidade que nos cerca –, que é a “anti-inovação”.

Paixão

Outro aspecto ressaltado por Borba é a inovação enquanto uma paixão, “o nosso mundo é feito para nos apaixonarmos por tudo”. “E vivemos esse sentimento de duas formas: pela vontade do poder – o domínio sobre a realidade –, cujo exemplo é o daquela pessoa que passa o tempo todo preocupada em realizar o seu projeto de inovação; e pelo desejo pelo outro, uma abertura à realidade, quando estou o tempo todo desejando alguma coisa a mais.”

A mercantilização da vida atual é outro ponto que merece ser analisado no debate sobre a inovação. “O mercado coloniza a vida, reduzindo todas as relações humanas a trocas movidas pelo interesse e todos os valores à capacidade de consumo. Isso desumaniza os processos de produção em nossa sociedade”, argumenta, o que pode significar riscos ao homem e ao meio ambiente nos processos inovativos.

Cidade inteligente e ágil

O engenheiro sênior do Departamento de Tecnologia e Gestão da Inovação da Siemens, Gustavo Zanini, na segunda palestra do dia, mostrou como a empresa de engenharia, máquinas e grandes equipamentos, com 400 mil funcionários no mundo, destes 17 mil engenheiros de software, se estrutura para o processo de inovação. Segundo ele, começa com a seleção e a admissão que se dão na perspectiva da criatividade, da vontade e inovação demonstradas pelo profissional. Ao mesmo tempo afirma que qualquer tipo de pressão no ambiente de trabalho é improdutivo. “A inovação acontece num ambiente muito sensível e delicado.”

Zanini diz que a empresa – que mantém 10 mil empregados e 13 fábricas em território nacional e que atua em automação industrial, energia, saúde e infraestrutura inteligente – entende a pesquisa como um processo transformador de dinheiro em conhecimento.

Como a sociedade e as políticas públicas estão funcionando são sempre observadas e analisadas pela empresa para o desenvolvimento de produtos e processos. Nesse sentido, ela já estuda como serão as cidades brasileiras daqui a 20, 30 anos e já tem o estudo “Rio 2030-40” dentro da lógica da cidade inteligente e ágil. “Será grande a importância que as tecnologias da informação e da comunicação vão ter nesse futuro.”

TI Verde

No dia 27, o último dia do evento, que acontece na sede da entidade, na capital paulista (Rua Martiniano de Carvalho, 170, Bela Vista), traz os temas “Produção, consumo e implicações na sustentabilidade e inovação no Estado de São Paulo” e “TI Verde”. (por Rosângela Ribeiro Gil – SEESP)