A tecnologia para fugir da tecnologia

Você também se preocupa com a falta de privacidade provocada pelo avanço da tecnologia? Para os mais precavidos (ou mesmo preocupados), uma série de novos produtos vem apostando na tecnologia para fugir dela. Enquanto os mantos de invisibilidade não alcançam a praticidade, os inventores tentam criar suas versões de “invisibilidades parciais”.

“A tecnologia está se transformando em algo mais pessoal”, afirma o especialista em segurança Graham Cluley. “Vamos ver mais e mais dispositivos que podem ser transportados ou até mesmo vestidos pelos usuários.”

O Instituto Nacional de Informática no Japão desenvolveu um protótipo de lentes que inibe a funcionalidade das câmeras de reconhecimento facial. O dispositivo é descrito como o antídoto aos óculos do Google, o Google Glass. O objeto tem 11 microlâmpadas de LED, dispostas em torno das sobrancelhas e do nariz. “As microlâmpadas de LED são instaladas ao redor desses locais porque a tecnologia que permite a detecção facial contrasta partes claras (olhos e nariz) e escuras (nariz)”, explicou o professor Isao Echizen.

“Ao colocarmos fontes de luz próximo às partes escuras do rosto, conseguimos bloquear o reconhecimento facial”, assinalou o especialista. Echizen também está desenvolvendo viseiras que contêm material refletor e que absorvem a luz para inibir câmeras que não dependem da luz infravermelha para funcionarem.

Roupa que bloqueia a radiação

Emil DeToffol, engenheiro e ex-dentista de Nova York, fundou o site lessEMF.com em 1996, após a crescente preocupação com os riscos não comprovados da exposição à radiação eletromagnética emitida pelos aparelhos eletrônicos que usamos em nossas vidas.

O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS, na sigla em inglês) diz que não identificou riscos associados com dispositivos (de telecomunicações), mas acrescenta que “poderia ser muito prematuro para detectar riscos a longo prazo ou problemas que poderiam estar associados a eles”.

A empresa de DeToffol especializou-se em vender uma variedade de produtos: desde gorros de beisebol até lençóis, que contêm prata, cobre, aço inoxidável ou fibras de carbono, materiais que refletem a radiação.

“Nos anos 90, as principais preocupações estavam relacionadas com linhas elétricas, mantas elétricas, telas de visualização de tubos de raios catódicos. Não existia wi-fi. Os celulares estavam apenas começando (a serem vendidos)”, disse DeToffol. “Agora que nosso mundo se torna mais globalizado, muita gente está ficando doente (por causa da tecnologia)”.

Embora não tenha nenhum problema de saúde, DeToffol disse que clientes de todo o mundo se queixam de uma variedade de sintomas que vão desde dores de cabeça e irritabilidade até zumbidos nos ouvidos e problemas cardíacos.

Gaiola de Faraday

O nome faz alusão ao seu criador, o cientista britânico do século 19 Michael Faraday. A gaiola de Faraday é uma construção de metal que funciona como escudo contra as ondas eletromagnéticas. A invenção impede que dispositivos como celulares ou qualquer objeto que possua chips de identificação por radiofrequência, incluindo passaportes e cartões de crédito, possam receber e transmitir informação.

A revista Wired publicou um guia na Internet sobre como construir com fita adesiva e papel alumínio uma gaiola de Faraday do tamanho de uma mão, para aqueles preocupados com a possibilidade de que a informação em cartões e aparelhos pudesse ser subtraída através de escâneres.

Pintura contra os dispositivos sem fio

Em 2009, pesquisadores da Universidade de Tóquio, no Japão, desenvolveram um tipo de pintura que pode bloquear sinais de dispositivos sem fio. A pintura contém óxido de alumínio que ressoa a mesma frequência que o wi-fi. Isso permite que a transmissão da informação de dentro para fora (ou vice-versa) de um objeto com a pintura seja bloqueada.

A ideia de uma pintura que bloqueasse a radiofrequência não era nova, mas foi a primeira do tipo em absorver frequências de 100 gigahertz, afirmaram os pesquisadores. “A existência da antitecnologia revela a preocupação da nossa sociedade e indica que deveríamos tratar esse assunto com seriedade”, afirma a especialista em tecnologia Suw Charman-Anderson.

Fonte: Site Inovação Tecnológica – com informações da BBC