Centro de Excelência em Gás Natural é lançado

Para atender demanda oriunda da descoberta de petróleo na camada do pré-sal, a partir de 2008, o Brasil conta agora com o Centro de Excelência em Gás Natural (CEGN). Parceria entre a Petrobras e o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), a unidade foi inaugurada em 2 de agosto, ao encerramento do II Simpósio de Processos de Separação com Membranas (Simpam 2013), realizado na capital fluminense, na Cidade Universitária. O evento integrou as comemorações dos 50 anos da Coppe e do seu primeiro programa de pós-graduação, o de engenharia química, bem como dos 45 anos do Laboratório de Processos de Separação com Membranas da Coppe, um dos mais antigos da instituição.

Já em condições operacionais, o centro encontra-se em um prédio no Parque Tecnológico da UFRJ, em uma área de 2.200 metros quadrados. Conforme o professor do programa de engenharia química da Coppe e coordenador do Laboratório de Processos com Membranas do CEGN, Cristiano Borges, é o primeiro do tipo na América Latina. À sua instalação, foram investidos R$ 21 milhões.

Sua estrutura abrange laboratórios e inicialmente duas unidades piloto de separação do dióxido de carbono (CO2) do gás natural. Ainda de acordo com ele, o objetivo é, sobretudo por esse meio, estudar e investigar as tecnologias de purificação do gás natural. “Hoje, tem-se sua produção quando se faz a extração do petróleo. Em águas profundas, o teor de CO2 atinge valores muito elevados, o qual precisa ser removido para se transportar o gás ao continente”, ensina. A medida é necessária em função das especificações exigidas para sua extração, salienta o coordenador. Pela legislação brasileira, o gás natural consumido no País não pode ter mais do que 3% de dióxido de carbono em sua composição. Além dos ganhos econômicos que devem advir de um processo inovador, há vantagens ambientais. Segundo a assessoria de comunicação da Coppe, impedirá a dispersão do gás – “um dos principais vilões do efeito estufa, responsável pelo aquecimento global” – na atmosfera. Nesse sentido, o CEGN deve contribuir para sanar grandes desafios enfrentados e identificados desde o início pela Petrobras, com a descoberta do pré-sal.

Pesquisas para inovação

Borges explica que as tecnologias utilizadas para a separação do CO2 são pelo processo de absorção ou com membranas. A primeira, convencional no Brasil, emprega “equipamentos muito grandes, como colunas de absorção”. Já a segunda, incipiente ainda, “materiais mais leves e compactos e de operação simples”. O processamento é feito em alto-mar, e essa tecnologia, que faz a filtragem do gás em nível molecular e dissipa sua contaminação, permite “reduzir o peso em plataformas em cerca de 1/4 e o tamanho em 1/3, o que é importante”.

Borges afirma que ambos processos serão estudados no CEGN, o convencional a cargo da Escola de Química da UFRJ e o de permeação por membranas, da Coppe, com possibilidade de integração entre as unidades. Quanto ao último, propiciará, diz o coordenador, “desenvolver a melhor forma de operação de novas membranas e combinações”. Após a separação, detalha ele, o CO2 pode ser reinjetado no reservatório de petróleo, otimizando sua extração, além de permitir processar o gás natural. Como conta Borges, a análise proposta no CEGN envolverá cerca de 60 pesquisadores, entre mestrandos, doutorandos e engenheiros. Consequência deve ser o desenvolvimento de inovação e formação de pessoal altamente qualificado na área, o que refletirá em vantagens ao País. Na engenharia, a capacitação de mão de obra especializada na área de petróleo e gás é um dos gargalos apontados por especialistas, ao que o centro pretende dar resposta. Com seus benefícios, o Brasil deve, como complementa ainda o coordenador, “reduzir sua dependência tecnológica com soluções e melhorias em eficiência no processamento de gás natural e na extração do petróleo”. (Por Soraya Misleh)

Fonte: Jornal da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Edição 136