Dados do INEP/MEC mostram que faltam engenheiros no Brasil

Na contramão das necessidades de infraestrutura para os eventos esportivos como as Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016 e a Copa do Mundo de 2014, faltam engenheiros no Brasil e a oferta de vagas não corresponde à procura dos profissionais. As explicações vão desde a velocidade do crescimento econômico no País até a evasão nas faculdades.

Dados do Censo de Educação Superior (Inep/MEC) mostram que ,apesar do número de ingressantes nos cursos de engenharia ter crescido 83% em 2010, o Brasil formou apenas 38 mil engenheiros no mesmo ano. Para atender o crescimento da economia, as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e os grandes eventos esportivos, o País precisa anualmente de 60 mil novos especialistas.

Enquanto o Brasil forma cerca de 40 mil engenheiros por ano, a Rússia, a Índia e a China formam 190 mil, 220 mil e 650 mil, respectivamente. Entidades empresariais, como a Confederação Nacional da Indústria, têm feito estudos sobre o impacto da falta de engenheiros no desenvolvimento econômico brasileiro. E órgãos governamentais, como a Financiadora de Projetos (Finep), patrocinam desde 2006 programas de estímulo à formação de mais engenheiros no país. Setores como os de petróleo e gás são os que mais sofrem com a escassez desses profissionais.

Preocupados com essa questão, profissionais de todo o Brasil vão se reunir na capital paulista entres os dias 24 a 26 de setembro para discutir as necessidades para suprir a carência de infraestrutura no país. “Hoje, no Brasil, o salário de um profissional de engenharia corresponde a nove salários mínimos. Precisamos rever a remuneração da carreira, incentivar os recém-formados e pensar em benefícios voltados à inclusão dos profissionais no mercado”, alerta o presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Murilo Celso Pinheiro.

Não é de hoje que a FNE alerta para a falta de profissionais nos diversos segmentos da engenharia. Desde setembro de 2006, quando lançou a primeira versão do “Cresce Brasil”, a entidade chama a atenção da sociedade para o assunto. O documento, lançado há seis anos virou uma ferramenta valiosa para a mobilização da categoria em torno do desenvolvimento nacional.

Desde então, o projeto dos engenheiros foi apresentado a diversas autoridades e com elas debatido. Um reflexo positivo desse esforço foi a presença de inúmeras propostas do “Cresce Brasil”, no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), anunciado em 2007 pelo Governo Federal.

Com a presença do governador Geraldo Alckmin na abertura, a oitava edição do Congresso Nacional dos Engenheiros (Conse) vai contar com palestras do ex-presidente do BNDES, Carlos Lessa, e do ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. Realizado a cada três anos, o encontro colocará em pauta o debate sobre desenvolvimento, sob o tema “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento – País + Inteligente”.

Saiba mais sobre o VII Conse

*Com informações da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE)