Estudo sobre remuneração revela quais áreas estão em alta

Falta de mão de obra qualificada aumenta poder de barganha de quem atende às exigências das empresas

A concorrência por profissionais qualificados está inflacionando a folha de pagamento das empresas. É o que mostra recente levantamento realizado pela Page Personnel, empresa de recrutamento especializado em profissionais de suporte à gestão e primeira gerência. De acordo com o Estudo de Remuneração 2012/2013 da companhia, as empresas estão gastando mais para contratar ou reter talentos.

“Essa falta de mão de obra qualificada proporciona um enorme poder de barganha salarial aos profissionais que se enquadram no alto nível de exigência das empresas. É um fato novo no País, que trouxe consequências às relações trabalhistas no Brasil. Nos resta saber agora quanto tempo isso pode durar”, explica Gil Van Delft, diretor-geral da Page Personnel.

Para elaborar o estudo, a Page Personnel consultou, em julho deste ano, os informes de rendimentos de 30 mil candidatos de 20 a 30 anos de São Paulo, do Rio de Janeiro e do interior paulista. A partir dessa consulta, a Page Personnel conseguiu traçar a remuneração mensal fixa de 204 cargos em 11 setores nas capitais paulista e carioca e no interior de São Paulo. Os cargos estão listados em faixas salariais que variam de acordo com o conhecimento do profissional (júnior, pleno ou sênior) e porte da empresa (pequena, média ou grande).

Remuneração por áreas

Estudo de Remuneração elaborado pela Page Personnel distribui os cargos nas seguintes áreas de atuação: Finanças, Bancos, Vendas, Marketing, Tecnologia da Informação, Seguros, Engenharia e Manufatura, Recursos Humanos, Imóveis e Construção, Suprimentos e Secretariado e Administrativo.

Em destaque abaixo, as principais áreas onde os profissionais de engenharia costumam atuar:

Engenharia e Manufatura

A falta de profissionais com conhecimento técnico e perfil comportamental adequado aponta para uma escassez de talentos neste segmento. Por esse motivo, as altas salariais apareceram em alguns cargos. No caso de técnico de manutenção no Rio de Janeiro, os rendimentos pularam de R$ 5,8 mil em 2011 para R$ 6,5 mil neste ano. Para o cargo de engenheiro ambiental sênior no interior de São Paulo, os ganhos saíram de R$ 4 mil no ano passado para R$ 5, 1 mil em 2012. No Rio de Janeiro, a remuneração de um engenheiro químico passou de R$ 7,2 mil no ano passado para R$ 8 mil neste ano.

“Essa área é muito promissora no Brasil. E um fator influencia muito nos altos níveis salariais aplicados ao setor: Muitos engenheiros, depois de formados, resolvem não seguir a profissão. Isso dá aos que seguem a carreira um poder de barganha ainda maior no momento da negociação salarial”, reflete o diretor.

Imóveis e Construção

O setor de imóveis e construção passa por um momento de grande aquecimento, motivado principalmente pela crescente demanda de mão de obra técnica em áreas ligadas à Engenharia, como obras de infraestrutura, petróleo & gás e mercado imobiliário.

Um coordenador técnico de edificações em São Paulo recebia em torno de R$ 4,2 mil no ano passado e passou a ter ganhos de R$ 7,5 mil neste ano. O cargo de projetista civil pleno em São Paulo tinha remuneração média de R$ 4 mil em 2011 e neste ano é de R$ 7,5 mil. No Rio de Janeiro, o destaque ficou para o analista sênior de facilities, que viu seus rendimentos caírem de R$ 6,3 mil em 2011 para R$ 4,5 mil neste ano.

Tecnologia da Informação

O setor de TI é o que apresenta o cargo com maior aumento percentual na remuneração. O salário de um administrador de banco de dados júnior, em São Paulo, saltou de R$ 2,5 mil no ano passado para R$ 4,7 mil neste ano, o que representa aumento de 88%. Os ganhos de um desenvolvedor/ programador também passaram de R$ 6,7 mil em 2011 para R$ 7,5 mil em 2012.

“Os profissionais de TI estão investindo mais tempo e dinheiro em qualificações técnicas, acadêmicas e cursos de idiomas e certificações, pois sabem que a demanda de oportunidades que buscam aumentou significativamente”, discorre Gil.

Finanças

No setor de Finanças, os cargos que mais tiveram alterações nas faixas salariais foram os de analista contábil júnior, analista fiscal tributário pleno e analista de custos e orçamentos. O salário mensal médio de um analista contábil júnior, em São Paulo, saltou de R$ 3,5 mil em 2011 para R$ 4,5 mil neste ano. No interior de São Paulo, os rendimentos de um analista tributário fiscal pleno passaram de R$ 4 mil no ano passado para R$ 5,5 mil neste ano. No caso do analista de custos e orçamentos, que atua no Rio de Janeiro, seus ganhos foram reduzidos. Caíram de R$ 3 mil em 2011 para R$ 2,5 mil neste ano.

“O complexo sistema fiscal brasileiro tem exigido profissionais com sólida expertise na área. As empresas pedem habilidades técnicas, conhecimentos em contabilidade internacional, domínio de softwares específicos e de idiomas. Por esses motivos, os salários aumentaram de uma forma geral”, explica Gil.

Bancos

No setor bancário, os cargos que apresentaram variações significativas na remuneração foram os de analista de produtos pleno – varejo e analista de crédito júnior – bancos de investimento, ambos com atuação em São Paulo. Os rendimentos de um analista de produtos pleno aumentaram de R$ 6 mil em 2011 para R$ 7,2 mil neste ano e do analista de crédito júnior saltou de R$ 5 mil no ano passado para R$ 6,5 mil.

“Nos bancos de investimentos e financeiras, os níveis salariais aplicados mantiveram-se, em geral, estáveis, exceto para as áreas de crédito”, resume o diretor da Page Personnel.

Suprimentos

A ideia de uma compra estratégica para uma venda com mais rentabilidade gera a necessidade de profissionais mais preparados tecnicamente. Há demandas nesse mercado para profissionais com foco em resultados financeiros, utilização de ferramentas de busca e interface com a área de planejamento.

O cargo de analista de comércio exterior pleno, em São Paulo, foi o que mais apresentou ganho nos últimos 12 meses. O salário subiu de R$ 3,6 mil em 2011 para R$ 4,7 mil neste ano. No Rio de Janeiro, por sua vez, os ganhos de um analista de PCP pleno recuaram de R$ 4,9 mil para R$ 4 mil.

“Uma área de destaque é a de distribuição e logística. O complexo viário no Brasil ainda não tem a estrutura necessária para dar vazão a todo o crescimento e expansão em diferentes setores. Isso exige dos profissionais dessa área jogo de cintura e criatividade maior do que a exigida em outros países, e quem se encaixa e consegue diminuir custos, se destaca”, diz Gil.