Isitec divulga lista de convocados para Engenharia de Inovação

Divulgada nesta segunda-feira (2/2) a primeira lista de candidatos aprovados no vestibular do curso de graduação em Engenharia de Inovação, do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), mantido pelo SEESP

Dos cerca de 300 candidatos que se inscreveram, 26 foram selecionados por meio de três avaliações que compuseram a nota: exame de linguagem (40%), exame de lógica (20%) e a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – 40%. Todos terão bolsa integral para o curso que será em período integral, inicialmente de segunda a sexta, mais ajuda de custo de R$ 500 (mensal). As matrículas devem ser feitas até esta terça-feira (3).

A ideia é dar as mesmas condições para todos desde o início e, com o passar do tempo, eles manterão as bolsas a partir do desempenho individual. Entre os primeiros estudantes do curso há paulistanos, mas há também quem tenha vindo do interior, como São José do Rio Preto, Ibitinga, Taquaritinga, como de outros estados como Rondônia e Goiânia.

De acordo com o professor José Luis Landeira, responsável pela elaboração do processo seletivo, e pela formulação da prova de Linguagem, as notas ficaram um pouco acima da média. “Não teve nenhum 10, mas também não teve nenhuma nota abaixo da média (5). Pra mim foi uma surpresa boa, houve muitas notas 8. E não houve pérolas do Enem. Só as redações as notas foram mais baixas”, contou Landeira, atribuindo o fato ao cansaço mental por conta da metodologia de realizar a prova: “A maioria opta em responder as questões antes da redação”.

Inovação
Ainda sobre a redação, ele lamentou que os textos que foram sugeridos para a produção textual não tenham sido aproveitados efetivamente, já que em nenhum momento se falou em tecnologia, mas em geral o candidato acabou atribuindo inovação, que era o tema, à tecnologia. “Existe um paradigma interno de que eu inovo porque eu sou criativo. Portanto, não preciso do mundo. E isso me preocupou um pouco porque é uma visão estigmatizada, generalizada. Falta uma visão da realidade”, analisou o professor Landeira que tem experiência em realizar provas do Enem e FUVEST. Em sua avaliação até mesmo os alunos que se saíram melhores, não foram ousados. “O ensino médio não tem promovido a ousadia. E tivemos um número de zeros no Enem muito grande. Fico preocupado porque esse salto da educação não se dá de um ano para o outro”, lamentou.

“Inovação é a forma de trabalhar com o problema, é a dinâmica , como você visualiza um problema, a experimentação. Mas, em nosso curso, já estamos pensando algumas estratégias para trabalhar essas questões de visitação, se conhecer melhor as definições. Como uma aula com cinema e debate”, completa José Landeira.

O professor José Marques Póvoa, diretor da Graduação do Isitec, frisou que o vestibular funcionou como uma apresentação do que será o curso, com a aplicação de questões com nível razoável para que o candidato já tivesse uma ideia sobre o que esperar dos próximos quatro anos. Além disso, cada aluno passará agora por uma avaliação sobre seus erros e acertos no vestibular.

“O processo seletivo não está desconectado do processo da engenharia como um todo. Ele não serve somente para selecionar. Ele acena o que é o curso como um todo. E por isso a gente tem uma grande vantagem de estar próximo do sindicato, porque aproxima o estudante do mundo do trabalho”, declarou Póvoa, que também ressaltou a preocupação da interdisciplinaridade da graduação.

Geralmente, o aluno aprende por módulo, por matéria o que é Cálculo, Física, Geometria Analítica e termodinâmica, “mas tudo está interligado”. O diretor do Isitec lembra que o instituto não pretende ser mais uma escola de ensinar engenharia, mas sim de aprender: “Queremos pensar a engenharia de uma forma diferente, que o aluno perceba que tudo é uma coisa só desde o início e não no final como geralmente acontece. Quem sabe em um futuro muito próximo a gente não prepare materiais de educação em engenharia, que consiga articular essas atividades”.

Inspirações
Além da interdisciplinaridade, que vem sendo trabalhada pela equipe de professores há seis meses, o Isitec pretende instituir uma nova forma de estudar a engenharia, a partir de projetos. O sistema é inspirado na Escola da Ponte, de Portugal, que se tornou local de peregrinação de educadores de todo o mundo. Diversas escolas em todo o mundo vem promovendo mudanças no sistema com base nas experiência do colégio público português, que já foi tido como um dos piores da rede em seu país, e conseguiu revolucionar o setor criando projetos por interesse, independentemente de idade e nível escolar. A proposta estrutura-se a partir da interação entre seus integrantes a partir de práticas em direitos humanos, igualdade de oportunidade para todos e promoção da solidariedade ativa e participação responsável dos processos.

Mas, até agora, nenhuma graduação em engenharia havia implantado algo desse tipo. Por isso, nenhum dos professores do Isitec, que vêm do mercado, passaram por uma experiência semelhante. Todos vieram de largas carreiras acadêmicas e toparam o desafio de transpor os muros além da escola. Como Marcelo Melo Barroso, formado em Engenharia Civil e que lecionará História da Tecnologia, Introdução à Engenharia. Ele, que deu aula durante 6 anos no ensino superior em universidades federais na região norte, reconhece que será um desafio ainda maior ao docente. “Como ter a capacidade de fazer a leitura sobre a percepção desse estudante, como aplicar o nosso conhecimento para esse aprendizado. Vai ser um crescimento conjunto, também estamos desenvolvendo competências”, disse.

Para Barroso “o engenheiro, bem como outros profissionais, está cada vez com mais dificuldade de se inserir nas novas realidades”. “Teremos que fazer a leitura sobre cada estudante e ver quais as reais necessidades dele. E isso não é tão trivial. Isso é educar”, afirmou.

Assim como ele, todos concordam que o que está sendo plantado hoje no Isitec vai além da engenharia. “Talvez o sindicato não tenha noção da semente que está plantando. Minha área é educação e percebo uma mudança de paradigma na educação que está sendo realizado. Nós estamos construindo um modelo nosso e não transpondo um já existente”, avaliou Landeira.

Confira a lista dos selecionados para o curso aqui.

 

Deborah Moreira – Imprensa SEESP