Lutar pela valorização dos engenheiros

Reconduzido ao cargo de presidente do SEESP (Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo), recentemente, para o mandato 2014-2017, Murilo Celso de Campos Pinheiro, avalia o trabalho da diretoria atual e os desafios para a próxima gestão, e destaca a importância do fortalecimento do ISITEC.

Qual a principal motivação para um novo mandato à frente do SEESP?

Murilo Pinheiro – A grande motivação é continuar trabalhando em defesa da nossa categoria, que tem extrema importância para o bem-estar da população e o desenvolvimento nacional. Contribuir para a defesa dos direitos e legítimos interesses desses profissionais é uma grande honra. Enfrentar tal desafio à frente do SEESP, que tem uma equipe de dirigentes de primeira linha, é certamente um enorme estímulo para mais um mandato. Nos últimos anos, conseguimos conquistas importantes como o cumprimento da lei que assegura o salário mínimo profissional em diversas empresas e setores, além de ganhos reais na maior parte dos acordos e convenções coletivas. Tivemos também um salto de qualidade na estrutura de atendimento aos engenheiros, com a organização de sedes próprias para várias das nossas delegacias sindicais e aprimoramento dos serviços oferecidos aos associados. A ideia agora é avançar nesses campos e buscar novas vitórias.

Quais as principais propostas da nova gestão?

Murilo Pinheiro – Entre os nossos principais pontos de trabalho, estão a luta pela obrigatoriedade da representação sindical nas empresas; aprofundar o diálogo com as empresas e entidades patronais, visando firmar acordos e convenções coletivas que tragam benefícios aos engenheiros, como o pagamento do piso da categoria de acordo com a Lei 4.950-A/66; defender, além do emprego e ganhos salariais, a melhoria das condições e do meio ambiente de trabalho; instituir ações voltadas ao engenheiro formando e ao recém-formado, visando sua integração ao mercado de trabalho; manter e aprimorar o Plano de Saúde do Engenheiro e o SEESPPrev, o fundo de pensão da categoria. Debater e propor soluções para áreas pertinentes à engenharia, como mobilidade, saneamento, habitação e comunicações; e trabalhar pela implementação da engenharia pública e gratuita também estão entre as nossas propostas. E somar esforços com o movimento sindical brasileiro para avançar em bandeiras como a redução da jornada, fim do fator previdenciário, ratificação da Convenção 158 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que proíbe a demissão imotivada.

Além das lutas específicas da categoria e sindicais, como o SEESP se insere nas grandes lutas sociais e nacionais?

Murilo Pinheiro – O SEESP, por definição, é o que chamamos de “sindicato cidadão”. Ou seja, pela característica da nossa categoria, a entidade, que tem como função precípua a ação sindical, atua também numa importante agenda voltada ao desenvolvimento e às questões que envolvem toda a sociedade, especialmente aquelas que estão muito ligadas à engenharia. É o caso do debate sobre energia, saneamento, transporte e mobilidade urbana, meio ambiente, habitação, ciência e tecnologia. Temos, especialmente no âmbito do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, lançado em 2006 pela FNE (Federação Nacional dos Engenheiros), colocado esses temas em discussão, construído propostas de soluções aos problemas existentes e apresentado aos poderes públicos e à sociedade.

Recentemente, o Ministério da Educação publicou dados sobre o aumento do número de ingressantes em Engenharia, ultrapassando, inclusive, o curso de Direito. Como o sindicato atua diante dessa nova realidade da profissão?

Murilo Pinheiro – O SEESP, também engajado ao projeto “Cresce Brasil”, vem há anos propondo ações que ampliem o número de engenheiros formados no País. Isso passa por estimular a opção pelo curso e também evitar a evasão, muito acentuada nas engenharias. O esforço pela retomada do crescimento, que contou com a nossa mobilização, é certamente responsável por esse redescobrimento da profissão pelos jovens. Fundamental agora que a categoria seja valorizada à altura, o que passa por remuneração justa e boas condições de trabalho e inserção social.

Como o ISITEC (Instituto Superior de Inovação e Tecnologia) se insere nessa dinâmica?

Murilo Pinheiro – Essa reflexão sobre a necessidade de formar profissionais aptos a promover o nosso desenvolvimento nos levou a colocar em pé um projeto ousado e pioneiro no movimento sindical: a criação de um curso de graduação que buscasse assegurar a mão de obra de alto nível que a nossa indústria precisa para ser capaz de avançar. Assim, foi pensado o curso de Engenharia de Inovação, hoje em fase final de aprovação pelo Ministério da Educação.

Por Rosângela Ribeiro Gil – Imprensa/SEESP