O senador das Diretas

Por: Bernardo de Melo Franco

O senador João Capiberibe, do PSB do Amapá, diz estar angustiado. Ele lamenta o avanço do processo de impeachment e afirma que o país assiste a uma “marcha da insensatez”. Para o senador, a troca de Dilma por Temer ameaça agravar a crise, em vez de remediá-la.

Na terça-feira (19), Capiberibe apresentou uma proposta de emenda à Constituição que antecipa a eleição presidencial para outubro. “A opção pelo impeachment é uma opção pelo confronto. E pelo confronto não resolveremos a crise”, afirma. A ideia ganhou adesões, mas já enfrenta forte reação do partido do vice.

O senador define o duelo entre PT e PMDB como uma “guerra de facções”. “É uma disputa de poder. Os dois grupos se deram muito bem, mas agora não estão mais se entendendo”, diz ele. “Estamos vivendo a falência da representação política.”

Para o amapaense, Dilma e Temer perderam as condições de liderar um pacto nacional. “Dilma estava legitimada pelo voto popular, mas perdeu essa legitimidade ao arquivar seu programa de governo”, diz.

Ele também desconfia das propostas esboçadas pelo vice. “A possibilidade de sucesso de um governo Temer é muito baixa. A sociedade não permitirá arrocho salarial nem perda de direitos sociais.”

Capiberibe se descreve como um político independente. Diz não ter cargos nem interesses no governo. “Não tenho nenhuma razão para defender Dilma. Os governos do PT foram terríveis para mim”, afirma.

Em 2004, ele foi cassado pelo TSE sob a acusação de comprar votos de duas eleitoras por R$ 26 cada. “Foi uma farsa comandada por Sarney com a anuência de Lula e Renan”, desabafa. O senador, que já havia sido preso e exilado na ditadura, passou mais seis anos fora da política.

Apesar da mágoa com o PT, o socialista diz que votará contra o impeachment. Foi o que já fez sua mulher, a deputada Janete Capiberibe. “Por respeito à minha biografia, não vou pôr a digital nisso”, ele afirma.

Fonte: Folha de S. Paulo – 22/04/2016

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