Setor de ensino superior privado reage a ajuste fiscal do governo Dilma

O ajuste fiscal do segundo governo Dilma Rousseff provocou um curtocircuito no mercado de ensino superior privado, cuja expansão foi uma das marcas do primeiro mandato da presidente (Folha de S.Paulo)

Com ações desabando na Bolsa, empresas do setor pressionam o Ministério da Educação a rever portaria editada no apagar das luzes de 2014 para endurecer as regras do  financiamento a estudantes.

Sem anúncio prévio ou justificativa oficial, a medida impôs uma pontuação mínima no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio)  aos interessados em tomar recursos públicos para bancar as mensalidades da rede privada. Além disso, reduziu o fluxo de pagamentos do governo às empresas mantenedoras.

Procurado pela Folha, o Ministério da Educação afirmou que o objetivo foi aprimorar a qualidade do ensino superior, o que não  explica a restrição aos pagamentos. De uma hora para outra, as perspectivas para os negócios do setor –até então um dos mais prósperos na Bolsa– se tornaram menos luminosas.

O valor de mercado da gigante Kroton, que atende a mais de 1 milhão de alunos, caiu 18,3%, de R$ 25,2 bilhões para R$ 20,6  bilhões, em apenas 15 dias de janeiro. No caso da Ser Educacional, a queda no período chegou a 40,5%, para R$ 2,2 bilhões.
Não é difícil entender: nos últimos anos, alunos e receitas foram multiplicados com a ajuda da expansão dos gastos do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil).Os desembolsos somaram R$ 13,7 bilhões no ano passado, ante R$ 1,1 bilhão em 2010.

No primeiro mandato de Dilma, o número de contratos de financiamento saltou de 76 mil, no último ano de Lula, para 732 mil em 2014. Agora, em tempos de reequilíbrio do Orçamento e contenção da dívida pública, essa fonte não deverá mais ser tão  generosa, ainda que Dilma tenha anunciado, como lema de seu novo governo, “Brasil, pátria educadora”.

Fonte: Folha de S. Paulo